Para quem me perguntou “Porquê?”
Quando se perde o cabelo que já escasseia e as nódoas negras surgem num corpo que não tem porque sofrer de anemia, não se pergunta o porquê destas degenerescências: o próximo deve tomar consciência das asas de anjo que invisivelmente se alojam no dorso, porque de anjo tem de passar a ser a sua condição.
Para ele, o próximo – se é efectivamente próximo - deve bastar observar que aquele mortal, aquele intrépido Ícaro que deixou derreter as suas asas por avidez de verdade (porque na luz deve residir a verdade... afinal, Apolo é deus do Sol!), está em sofrimento. E então deve amá-lo, pois amar é a única maneira de guardar. Um ser assim tão fragilizado não está apto a expor porquês – a sua alma está balbuciante, titubeante, cada passo mais não é que a materialização do desequilíbrio.
Como podemos esperar de alguém que nos diga o que o perturba quando esse algo que o perturba é algo de tão perturbante quanto esse algo é o perturbado não se sentir amado? Não ficaria perturbado quem, perante tão estulta e escusada pergunta, recebesse tão perturbante resposta? Seria o arrogante interrogante capaz de articular uma frase decente, uma só que fosse, a quem isto lhe respondesse?
As palavras só são mágicas na poesia. Para um Ícaro, muito menos existem palavras mágicas que, ao serem proferidas, resultem mágicas. Mágico será que surja um ser alado que, solidaria e solicitamente, o tome nos braços e o eleve novamente às alturas por que tanto aspira (e às quais pertence) até estar refeito. E que, depois da convalescença, esse ser alado o acompanhe eternamente no voo.
Que não se peçam explicações, ofereça-se amor.
Enquanto subo a rua ouço as seguintes palavras que vêm do interior de uma casa: “O automóvel nunca há-de substituir o cavalo”. Não podia concordar mais.
Para ele, o próximo – se é efectivamente próximo - deve bastar observar que aquele mortal, aquele intrépido Ícaro que deixou derreter as suas asas por avidez de verdade (porque na luz deve residir a verdade... afinal, Apolo é deus do Sol!), está em sofrimento. E então deve amá-lo, pois amar é a única maneira de guardar. Um ser assim tão fragilizado não está apto a expor porquês – a sua alma está balbuciante, titubeante, cada passo mais não é que a materialização do desequilíbrio.
Como podemos esperar de alguém que nos diga o que o perturba quando esse algo que o perturba é algo de tão perturbante quanto esse algo é o perturbado não se sentir amado? Não ficaria perturbado quem, perante tão estulta e escusada pergunta, recebesse tão perturbante resposta? Seria o arrogante interrogante capaz de articular uma frase decente, uma só que fosse, a quem isto lhe respondesse?
As palavras só são mágicas na poesia. Para um Ícaro, muito menos existem palavras mágicas que, ao serem proferidas, resultem mágicas. Mágico será que surja um ser alado que, solidaria e solicitamente, o tome nos braços e o eleve novamente às alturas por que tanto aspira (e às quais pertence) até estar refeito. E que, depois da convalescença, esse ser alado o acompanhe eternamente no voo.
Que não se peçam explicações, ofereça-se amor.
Enquanto subo a rua ouço as seguintes palavras que vêm do interior de uma casa: “O automóvel nunca há-de substituir o cavalo”. Não podia concordar mais.

10 Comments:
Definitivamente elouquente...
Bravo!
http://divinadecadencia.blogspot.com/
queria dizer alguma coisa mas estou fascinada com o calor da luz que emana da tua verdade.
Deadalo( tenho mesmo que comprar um dicionário de mitologia, a maioria dos personagens só os conheço pelo nome espanhol....) avisou Ícaro antes de abandonarem o labirinto dos perigos do sol e das ondas: não poderia voar nem alto de mais nem baixo de mais. Tão engenhoso era Deadalo e ainda assim não conseguiu evitar a queda do filho. Quem se queimou a sério foi Faetonte que pediu ao pai autorização para conduzir o carro do sol e acabou quase a estorricar o mundo: solução: mandaram-lhe com um raio que o deixou estorricado. Agora sou eu a dizer: Porquê, porquê que estou para aqui a escrever isto?? Muitos
beijos
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Vejo que não entendeste o meu post! Não faz mal!
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André, explica-me tudo... Eu estou sempre ao teu alcance e não tenho mesmo a veleidade de tudo perceber.
De qualquer maneira, como não quero, de modo algum, que este dseja um espaço de mal-entendidos, optei por matar o meu post obtuso.
Mil beijinhos e muitos mais ainda para ti que sabes tanto sobre mim tornando-se rendundante qualquer coisa mais que eu acrescente
Há uma acção reacção aos textos, ao ler o teu surgiu-me uma reacção que foi o post que escrevi. A reacção por vezes é apenas tangencial à acção talvez seja o caso do post que escrevi, por isso o terminei com as palavras_" porquê, porquê que estou a escrever isto?" Como vês eu próprio não o entendi!
Muitos beijos
Where did you find it? Interesting read » »
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