Agora que as uvas galopam pelas minhas veias
peço-te
Chupa-me o sangue
Por todo o vermelho do mundo
exorto
Chupa-me o sangue
Por tudo o que vive
o que morre
Por tudo
Deixa-me exangue
quarta-feira, maio 09, 2007
sábado, novembro 25, 2006
Tempesta
O dia estava
na verdade
negro.
O mar estava medonho.
Olhei-o nos olhos
eternamente tristonhos
Quero apenas dizer-te
que dentro deste eterno encontro verde
nada pode esmorecer.
na verdade
negro.
O mar estava medonho.
Olhei-o nos olhos
eternamente tristonhos
Quero apenas dizer-te
que dentro deste eterno encontro verde
nada pode esmorecer.
terça-feira, abril 25, 2006
Pupila
Na madrugada
desperta
as minhas pupilas
fitam as tuas pálpebras fechadas
Os teus espasmos
despertam-me para o amorfismo
da minha vigília
nenhum conforto me advém do teu
belo sono moreno.
Esmaga
com o teu corpo
os frutos podres de Morfeu
meu Orfeu.
desperta
as minhas pupilas
fitam as tuas pálpebras fechadas
Os teus espasmos
despertam-me para o amorfismo
da minha vigília
nenhum conforto me advém do teu
belo sono moreno.
Esmaga
com o teu corpo
os frutos podres de Morfeu
meu Orfeu.
terça-feira, dezembro 27, 2005
Matérias
Quem diria
finalmente a paz
Pedras de sal caem sobre o telheiro
Dir-se-ia
"gotas de chuva!"
Mas não são
Pedras de sal são
Mens são in corpore são
São sãs?
As gotas de chuva,
são sãs?
Sim são.
Parece que sim
Parece que não
São são.
São não.
finalmente a paz
Pedras de sal caem sobre o telheiro
Dir-se-ia
"gotas de chuva!"
Mas não são
Pedras de sal são
Mens são in corpore são
São sãs?
As gotas de chuva,
são sãs?
Sim são.
Parece que sim
Parece que não
São são.
São não.
quarta-feira, novembro 23, 2005
Ulisses regressado
Deitado
imprimo igual empenho
na apatia e no fabrico
de rodas de fumo.
Penélope tece
dedicada.
Estarei mesmo em Ítaca?
Quem deverei consultar:
Hades, Zeus, a Pítia?
Nenhum.
Ítaca há-de ser
onde Penélope tecer.
imprimo igual empenho
na apatia e no fabrico
de rodas de fumo.
Penélope tece
dedicada.
Estarei mesmo em Ítaca?
Quem deverei consultar:
Hades, Zeus, a Pítia?
Nenhum.
Ítaca há-de ser
onde Penélope tecer.
segunda-feira, outubro 31, 2005
Inquietação
O homem que come o caixote
do lixo sente certamente
o sabor amargo
das palavras que
de tempos a tempos
assolam o pensamento
de qualquer sujeito
A pele das batatas ainda não oxidou.
Já o leite, azedou.
Estaria a mama da mãe seca?
Treme a mão?
do lixo sente certamente
o sabor amargo
das palavras que
de tempos a tempos
assolam o pensamento
de qualquer sujeito
A pele das batatas ainda não oxidou.
Já o leite, azedou.
Estaria a mama da mãe seca?
Treme a mão?
quarta-feira, setembro 07, 2005
Hier soir
Hier soir j'ai fait le trottoir
Restos de pó de papoila
comprimidos estropiados
dejectos fossilizados
cantaria decomposta
a súcia que explora.
Piso a avenida.
Ziguezagueando espectros,
reconfortei-me no jejum
afoguei-me num copo de água
satisfez-me a bolha
filha do salto agulha.
Restos de pó de papoila
comprimidos estropiados
dejectos fossilizados
cantaria decomposta
a súcia que explora.
Piso a avenida.
Ziguezagueando espectros,
reconfortei-me no jejum
afoguei-me num copo de água
satisfez-me a bolha
filha do salto agulha.
sexta-feira, agosto 05, 2005
Requiem
Entre quatro paredes
de pedra dura
rogo-te que me magoes.
Relembra-me o corpo
e silenciarás a dor
num destes dias
de papier-maché
desses jornais
desses jornais
que descrevem o fogo
a cinza o fumo sobre a cidade
durante o horrível crepúsculo.
Que seja um requiem este opúsculo.
sexta-feira, julho 15, 2005
Milonga
Porque amo os teus cotovelos
eles são as esquinas mágicas
da minha imaginação
o prazer que nunca antes existiu
porque nunca antes me lembrei
porque nunca antes quaisquer cotovelos amei.
Não receio a sua aspereza
insisto não os amaciar com azeite
não os marinar em limão
os teus cotovelos precederão
o teu convexo.
eles são as esquinas mágicas
da minha imaginação
o prazer que nunca antes existiu
porque nunca antes me lembrei
porque nunca antes quaisquer cotovelos amei.
Não receio a sua aspereza
insisto não os amaciar com azeite
não os marinar em limão
os teus cotovelos precederão
o teu convexo.
segunda-feira, junho 20, 2005
Fim de noite
Numa noite quente
servida num cálice de tédio
um italiano canta
"Je m'en fous de mon passé".
Je suis d'accord
ma non troppo.
O português que estudou em Treviso
conquista a Alemanha Federal
(ou uma das suas Valquírias).
Enquanto isso,
a brisa lisboeta cai
sobre o meu bloco
um tudo nada arménio.
servida num cálice de tédio
um italiano canta
"Je m'en fous de mon passé".
Je suis d'accord
ma non troppo.
O português que estudou em Treviso
conquista a Alemanha Federal
(ou uma das suas Valquírias).
Enquanto isso,
a brisa lisboeta cai
sobre o meu bloco
um tudo nada arménio.
Assinar:
Postagens (Atom)