de noite, adormeces-me no meu colo
afugento-te os pesadelos
limpo-te e alimento-te
beijo-te as feridas
ralho-te e perscruto-te sans césse
por isso pergunto
quem te protegerá de mim?
das minhas vagas
dos meus sonhos
das minhas paixões colossais
das minhas visões com cores garridas
quem te salvará do cativeiro maternal
e da minha essencial liberdade desgrenhada?
segunda-feira, agosto 06, 2012
sábado, agosto 04, 2012
obrigada
sonhei-te e despiste-me dos anos
devolveste-me o sofrimento,
um coração congestionado e palpitante,
pelo que te agradeço tanto
a insegurança
as gargalhadas
o formigueiro
e as cócegas na alma
devolveste-me o sofrimento,
um coração congestionado e palpitante,
pelo que te agradeço tanto
a insegurança
as gargalhadas
o formigueiro
e as cócegas na alma
quinta-feira, agosto 02, 2012
post it
murmuro o teu nome à orla
mergulho e abro bem os olhos
engulo a água salgada
entro no meu portal do tempo
e ele lava-me as mazelas
e escaras terrestres
o sol tornou-se vela tremeluzente
a invocação do teu toque
tornou tudo incandescente
cada molécula de água
esculpe a tua imagem nos recifes
para que saibas que sou tua
mergulho e abro bem os olhos
engulo a água salgada
entro no meu portal do tempo
e ele lava-me as mazelas
e escaras terrestres
o sol tornou-se vela tremeluzente
a invocação do teu toque
tornou tudo incandescente
cada molécula de água
esculpe a tua imagem nos recifes
para que saibas que sou tua
sexta-feira, julho 27, 2012
rubor invisível
hoje dei por mim:
- a caminhar encostada aos azulejos do metro
para que me arrefecessem a pele dos meus ombros
e, arrepios vítreos
- a tocar ao de leve com as plantas dos pés na erva
para que me fizesse cócegas frescas,
pois mais parecia que caminhara sobre piso em brasa
- a inspirar fundo o odor do centro de arte moderna,
que sempre adorei, e a contemplar, no bar,
as fatias douradas
- a monologar com patos (adultos e crias)
jurei:
- não esquecer nada
- resolver tudo
- ter calma
- percorrer um trajecto rectilíneo e seguro
cometi perjúrio.
devia estar mesmo muito encalorada.
- a caminhar encostada aos azulejos do metro
para que me arrefecessem a pele dos meus ombros
e, arrepios vítreos
- a tocar ao de leve com as plantas dos pés na erva
para que me fizesse cócegas frescas,
pois mais parecia que caminhara sobre piso em brasa
- a inspirar fundo o odor do centro de arte moderna,
que sempre adorei, e a contemplar, no bar,
as fatias douradas
- a monologar com patos (adultos e crias)
jurei:
- não esquecer nada
- resolver tudo
- ter calma
- percorrer um trajecto rectilíneo e seguro
cometi perjúrio.
devia estar mesmo muito encalorada.
agora
deserto de areia, não repetimos a cara
apenas a substância
não sabemos como somos
como seremos
aqui estamos e, por isso, agradecemos
agora
agora não
apenas a substância
não sabemos como somos
como seremos
aqui estamos e, por isso, agradecemos
agora
agora não
terça-feira, julho 24, 2012
anelar
se eu pudesse
morava neste quiosque
observava as árvores o tempo todo
e fumava cigarros sem parar
via os rapazes a passar
e as raparigas também
embebedava-me em cada noite do estio
depois de um ocaso verde
de noite, recebia-te,
meu amante
morava neste quiosque
observava as árvores o tempo todo
e fumava cigarros sem parar
via os rapazes a passar
e as raparigas também
embebedava-me em cada noite do estio
depois de um ocaso verde
de noite, recebia-te,
meu amante
domingo, maio 13, 2012
Ribeira
Ribeira, eras o nosso bazar
As flores e as cabeças de peixe
com olhos vítreos fitando uma última recordação de mar
no Tejo
boca entreaberta
que procurava uma última golfada de ar
fugindo aterrorizado da ideia de se tornar carcaça
vermelho vivo sucumbindo atrás da prata das gélidas escamas
até se vir sobre a bancada
e a posta de pescada
do cliente incauto
que morreria de asca
se conhecesse estas vicissitudes
do peixe que, apetitoso,
lhe jaz agora no prato
quarta-feira, janeiro 04, 2012
Geronte
Aquelas folhas
no chão
pertencem àquela árvore
Folhas verdejantes na copa,
lá medram sem cópula
e no outono caem pelo chão
A árvore ensimesmada
esquece-se de que lá estão
As folhas são jovens
As árvores persistirão
no chão
pertencem àquela árvore
Folhas verdejantes na copa,
lá medram sem cópula
e no outono caem pelo chão
A árvore ensimesmada
esquece-se de que lá estão
As folhas são jovens
As árvores persistirão
sábado, outubro 29, 2011
Epifania
o horror do nada
ou o nada é que é o horror?
o mergulho na água,
mar sem princípio,
ilimitado,
e eterno cantor
os dedos do bebé
o riso de cristal
Maria Helena semi-submersa
nessa massa salgada
que é o oposto da terra
ou o nada é que é o horror?
o mergulho na água,
mar sem princípio,
ilimitado,
e eterno cantor
os dedos do bebé
o riso de cristal
Maria Helena semi-submersa
nessa massa salgada
que é o oposto da terra
quarta-feira, dezembro 29, 2010
Contratempos
Sentimentos,
massa homogénea
de histeria e sal
lugares de ausência da ciência
onde nascem sangue, cores, relevos
que já nada têm de mental
Uma terra de tormenta
esquecida por Apolo
escarpa acima, escarpa a baixo
este corpo luta
nesta estrutura imaterial
Por mais estranho que pareça,
o debate faz sentido
massa homogénea
de histeria e sal
lugares de ausência da ciência
onde nascem sangue, cores, relevos
que já nada têm de mental
Uma terra de tormenta
esquecida por Apolo
escarpa acima, escarpa a baixo
este corpo luta
nesta estrutura imaterial
Por mais estranho que pareça,
o debate faz sentido
Assinar:
Postagens (Atom)