crianças especiadas
gulosas
entranhas afiadas
balas macias
destemidas
intratáveis
domingo, setembro 16, 2012
segunda-feira, setembro 03, 2012
Inês
O meu coração segue as contracções
de cada músculo teu.
de cada músculo teu.
Gostaria de fundir-me contigo,
saudade de quando éramos um corpo só.
Mas estamos obrigadas pela geração.
quinta-feira, agosto 23, 2012
miss
mar com saudade de lua
água sem vida
floresta deserta
ventre sem fruto
boca com sede
corpo com fome
alma sem mote
o barco quer a rede
transbordante de peixe
cresce
colhe-me da árvore
e mata-me
agora
água sem vida
floresta deserta
ventre sem fruto
boca com sede
corpo com fome
alma sem mote
o barco quer a rede
transbordante de peixe
cresce
colhe-me da árvore
e mata-me
agora
sábado, agosto 11, 2012
alta pressão
se fitar esta calçada íngreme
que vai mergulhar no rio
confundir-me-ei com ele
à semelhança da cidade
e assim prestar tributo
às virtudes do tempo quente:
a fluidez macia
um peso ligeiro e perfumado
dança lenta
pescoço arqueado até à nuca
boca semiaberta
indiferente ao ar que sai e entra
que vai mergulhar no rio
confundir-me-ei com ele
à semelhança da cidade
e assim prestar tributo
às virtudes do tempo quente:
a fluidez macia
um peso ligeiro e perfumado
dança lenta
pescoço arqueado até à nuca
boca semiaberta
indiferente ao ar que sai e entra
quinta-feira, agosto 09, 2012
apneia
namoro-te em cada objecto com que me deparo
espreitas-me sobre o ombro quando me olho ao espelho
adivinho-te ao virar da esquina
ou oculto nesta e naquela sombra
leio-te em todas as páginas
de todos os livros, dicionários, enciclopédias,
periódicos sérios ou pasquins
tornaste-te o odor de cada prato que cozinho
para depois te comer
uma garfada após outra
e beber-te em goles de vinho
sinto-te tão meu
que és outro de mim
espreitas-me sobre o ombro quando me olho ao espelho
adivinho-te ao virar da esquina
ou oculto nesta e naquela sombra
leio-te em todas as páginas
de todos os livros, dicionários, enciclopédias,
periódicos sérios ou pasquins
tornaste-te o odor de cada prato que cozinho
para depois te comer
uma garfada após outra
e beber-te em goles de vinho
sinto-te tão meu
que és outro de mim
segunda-feira, agosto 06, 2012
tutela
de noite, adormeces-me no meu colo
afugento-te os pesadelos
limpo-te e alimento-te
beijo-te as feridas
ralho-te e perscruto-te sans césse
por isso pergunto
quem te protegerá de mim?
das minhas vagas
dos meus sonhos
das minhas paixões colossais
das minhas visões com cores garridas
quem te salvará do cativeiro maternal
e da minha essencial liberdade desgrenhada?
afugento-te os pesadelos
limpo-te e alimento-te
beijo-te as feridas
ralho-te e perscruto-te sans césse
por isso pergunto
quem te protegerá de mim?
das minhas vagas
dos meus sonhos
das minhas paixões colossais
das minhas visões com cores garridas
quem te salvará do cativeiro maternal
e da minha essencial liberdade desgrenhada?
sábado, agosto 04, 2012
obrigada
sonhei-te e despiste-me dos anos
devolveste-me o sofrimento,
um coração congestionado e palpitante,
pelo que te agradeço tanto
a insegurança
as gargalhadas
o formigueiro
e as cócegas na alma
devolveste-me o sofrimento,
um coração congestionado e palpitante,
pelo que te agradeço tanto
a insegurança
as gargalhadas
o formigueiro
e as cócegas na alma
quinta-feira, agosto 02, 2012
post it
murmuro o teu nome à orla
mergulho e abro bem os olhos
engulo a água salgada
entro no meu portal do tempo
e ele lava-me as mazelas
e escaras terrestres
o sol tornou-se vela tremeluzente
a invocação do teu toque
tornou tudo incandescente
cada molécula de água
esculpe a tua imagem nos recifes
para que saibas que sou tua
mergulho e abro bem os olhos
engulo a água salgada
entro no meu portal do tempo
e ele lava-me as mazelas
e escaras terrestres
o sol tornou-se vela tremeluzente
a invocação do teu toque
tornou tudo incandescente
cada molécula de água
esculpe a tua imagem nos recifes
para que saibas que sou tua
sexta-feira, julho 27, 2012
rubor invisível
hoje dei por mim:
- a caminhar encostada aos azulejos do metro
para que me arrefecessem a pele dos meus ombros
e, arrepios vítreos
- a tocar ao de leve com as plantas dos pés na erva
para que me fizesse cócegas frescas,
pois mais parecia que caminhara sobre piso em brasa
- a inspirar fundo o odor do centro de arte moderna,
que sempre adorei, e a contemplar, no bar,
as fatias douradas
- a monologar com patos (adultos e crias)
jurei:
- não esquecer nada
- resolver tudo
- ter calma
- percorrer um trajecto rectilíneo e seguro
cometi perjúrio.
devia estar mesmo muito encalorada.
- a caminhar encostada aos azulejos do metro
para que me arrefecessem a pele dos meus ombros
e, arrepios vítreos
- a tocar ao de leve com as plantas dos pés na erva
para que me fizesse cócegas frescas,
pois mais parecia que caminhara sobre piso em brasa
- a inspirar fundo o odor do centro de arte moderna,
que sempre adorei, e a contemplar, no bar,
as fatias douradas
- a monologar com patos (adultos e crias)
jurei:
- não esquecer nada
- resolver tudo
- ter calma
- percorrer um trajecto rectilíneo e seguro
cometi perjúrio.
devia estar mesmo muito encalorada.
agora
deserto de areia, não repetimos a cara
apenas a substância
não sabemos como somos
como seremos
aqui estamos e, por isso, agradecemos
agora
agora não
apenas a substância
não sabemos como somos
como seremos
aqui estamos e, por isso, agradecemos
agora
agora não
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