Não me cruzarei
contigo numa viela
Não trocaremos olhares
nem congeminarás,
para o meu itinerário,
trajectórias acidentadas
O sol vai tardar a nascer
e não dispensarei
um segundo de escuridão
nem um milímetro cúbico
de pele a ninguém.
quarta-feira, novembro 13, 2013
sexta-feira, novembro 08, 2013
Hadopelágica
A água resvala pelo açude
pesa nos oceanos
estáticos como embondeiros
profundos profundos
como as raízes
do salgueiro
em choro desfeito
que desce lento
para o reino do bréu
e do silêncio.
Ofídio
Pertenço a uma serpente
benévola que atravessa
Lisboa mordiscante.
Retirei-me das veias
mas atento sempre ao pulso
à espera de poder
trocá-lo pelo mergulho.
benévola que atravessa
Lisboa mordiscante.
Retirei-me das veias
mas atento sempre ao pulso
à espera de poder
trocá-lo pelo mergulho.
terça-feira, novembro 05, 2013
Vagem
Reabilito os vícios
ou antes rogo-lhes
que me recebam de volta,
que me leiam, ditem e digam.
Exijo a devolução da visão
do deslumbramento melancólico
e uma dentada de cão
no músculo atónito.
Reabilito os vícios
quero-os de volta ser
ervilha vestida da vagem
que me torna vagamente imóvel.
Quando despida
rolarei fecunda até ao coito.
ou antes rogo-lhes
que me recebam de volta,
que me leiam, ditem e digam.
Exijo a devolução da visão
do deslumbramento melancólico
e uma dentada de cão
no músculo atónito.
Reabilito os vícios
quero-os de volta ser
ervilha vestida da vagem
que me torna vagamente imóvel.
Quando despida
rolarei fecunda até ao coito.
domingo, novembro 03, 2013
Mutações
Talvez os meus olhos
tenham corrompido
o seu papel
julgando.
Hoje só perscrutam
- são o meu corpo todo,
profuso de tentáculos:
anémonas,
tudo palpam,
inventam sensações.
tenham corrompido
o seu papel
julgando.
Hoje só perscrutam
- são o meu corpo todo,
profuso de tentáculos:
anémonas,
tudo palpam,
inventam sensações.
quinta-feira, outubro 31, 2013
Las meninas
O H. e a M. amam-se
e não se falam
O G. tem um gorro
Eu amo e não falo
Amo-os e não confesso
A L. é bela
A noite é a felicidade
Todos querem ser quem são
são-no agora
Todos querem ser quem não são
são-no agora
e não se falam
O G. tem um gorro
Eu amo e não falo
Amo-os e não confesso
A L. é bela
A noite é a felicidade
Todos querem ser quem são
são-no agora
Todos querem ser quem não são
são-no agora
sábado, outubro 26, 2013
Argerich
"My mother was a goddess",
said the bloody daughter
while her uncertified father
said "bloody
because you love her"
- could have been you
(it was certainly me
and, so I hope,
so will be mine).
[Foto: "Argerich, Bloody Daughter",de Stéphanie Argerich @ doc'13, Cinema São Jorge]
quinta-feira, outubro 24, 2013
André
dos corpos eclipsa-se
a adversidade do atrito
tudo se torna macio
reverberação
rocha húmida
áureo de sol
luarmente prateado
sal fresco
- não há coerências
nem que mencionar
contrários
o que são prédios?
o que são estradas alcatroadas?
ouço água, águias
o gelo canta
tangido por um fio de cabelo
gigante
- quando bate na acqua
esta suspira mater
quarta-feira, outubro 23, 2013
Pas sérieux
D'être poète
c'est d'avoir dix-sept
ans pour la vie
C'est d'être Rimbaud -
si tu peux,
si t'en veux -
pour la vie
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"On n’est pas sérieux, quand on a dix-sept ans", de Arthur Rimbaud
I
On n’est
pas sérieux, quand on a dix-sept ans.
Un beau soir, foin des bocks et de la limonade,
Des cafés tapageurs aux lustres éclatants!
On va sous les tilleuls verts de la promenade
Un beau soir, foin des bocks et de la limonade,
Des cafés tapageurs aux lustres éclatants!
On va sous les tilleuls verts de la promenade
Les tilleuls sentent bon dans les bons soirs de juin!
L’air est parfois si doux, qu’on ferme la paupière ;
Le vent chargé de bruits, — la ville n’est pas loin,
A des parfums de vigne et des parfums de bière…
L’air est parfois si doux, qu’on ferme la paupière ;
Le vent chargé de bruits, — la ville n’est pas loin,
A des parfums de vigne et des parfums de bière…
II
Voilà qu’on aperçoit un tout petit chiffon
D’azur sombre, encadré d’une petite branche,
Piqué d’une mauvaise étoile, qui se fond
Avec de doux frissons, petite et toute blanche…
D’azur sombre, encadré d’une petite branche,
Piqué d’une mauvaise étoile, qui se fond
Avec de doux frissons, petite et toute blanche…
Nuit de
juin! Dix-sept ans! — On se laisse griser.
La sève est du champagne et vous monte à la tête…
On divague; on se sent aux lèvres un baiser
Qui palpite là, comme une petite bête…
La sève est du champagne et vous monte à la tête…
On divague; on se sent aux lèvres un baiser
Qui palpite là, comme une petite bête…
III
Le cœur fou
Robinsonne à travers les romans,
Lorsque, dans la clarté d’un pâle réverbère,
Passe une demoiselle aux petits airs charmants,
Sous l’ombre du faux-col effrayant de son père…
Lorsque, dans la clarté d’un pâle réverbère,
Passe une demoiselle aux petits airs charmants,
Sous l’ombre du faux-col effrayant de son père…
Et, comme
elle vous trouve immensément naïf,
Tout en faisant trotter ses petites bottines,
Elle se tourne, alerte et d’un mouvement vif…
Sur vos lèvres alors meurent les cavatines…
Tout en faisant trotter ses petites bottines,
Elle se tourne, alerte et d’un mouvement vif…
Sur vos lèvres alors meurent les cavatines…
IV
Vous êtes amoureux. Loué jusqu’au mois d’août.
Vous êtes amoureux - Vos sonnets la font rire.
Tous vos amis s’en vont, vous êtes mauvais goût.
Puis l’adorée, un soir, a daigné vous écrire…!
Vous êtes amoureux - Vos sonnets la font rire.
Tous vos amis s’en vont, vous êtes mauvais goût.
Puis l’adorée, un soir, a daigné vous écrire…!
Ce soir-là… - vous rentrez aux cafés éclatants,
Vous demandez des bocks ou de la limonade…
On n’est pas sérieux, quand on a dix-sept ans
Et qu’on a des tilleuls verts sur la promenade.
Vous demandez des bocks ou de la limonade…
On n’est pas sérieux, quand on a dix-sept ans
Et qu’on a des tilleuls verts sur la promenade.
domingo, outubro 20, 2013
Milagre
Enquanto roubo sono à noite
percorro um léxico aleatório
como se fizesse listas de presentes
para entes meus amados:
beijinhos chupetas acendalhas
azeitonas café búzios vazios
pipetas cubos de gelo pimenta
...
O meu ventre
namora-me as ideias
- flores nascem-me
nas entranhas
e isso é glorioso
percorro um léxico aleatório
como se fizesse listas de presentes
para entes meus amados:
beijinhos chupetas acendalhas
azeitonas café búzios vazios
pipetas cubos de gelo pimenta
...
O meu ventre
namora-me as ideias
- flores nascem-me
nas entranhas
e isso é glorioso
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