Não sei se reparaste mas caminhei para nascente quando devia ter caminhado para poente Aliás, devia caminhar sempre para poente até chegar a nascente Como os ponteiros giram da esquerda para a direita eu caminho para poente Não como quem persegue o sol mas como quem foge dele numa condição de bacante viandante
Na madrugada desperta as minhas pupilas fitam as tuas pálpebras fechadas Os teus espasmos despertam-me para o amorfismo da minha vigília nenhum conforto me advém do teu belo sono moreno.
Esmaga com o teu corpo os frutos podres de Morfeu meu Orfeu.
Quem diria finalmente a paz Pedras de sal caem sobre o telheiro Dir-se-ia "gotas de chuva!" Mas não são Pedras de sal são Mens são in corpore são São sãs? As gotas de chuva, são sãs? Sim são. Parece que sim Parece que não São são. São não.
Deitado imprimo igual empenho na apatia e no fabrico de rodas de fumo. Penélope tece dedicada. Estarei mesmo em Ítaca? Quem deverei consultar: Hades, Zeus, a Pítia? Nenhum. Ítaca há-de ser onde Penélope tecer.
O homem que come o caixote do lixo sente certamente o sabor amargo das palavras que de tempos a tempos assolam o pensamento de qualquer sujeito A pele das batatas ainda não oxidou. Já o leite, azedou. Estaria a mama da mãe seca? Treme a mão?
Hier soir j'ai fait le trottoir
Restos de pó de papoila
comprimidos estropiados
dejectos fossilizados
cantaria decomposta
a súcia que explora.
Piso a avenida.
Ziguezagueando espectros,
reconfortei-me no jejum
afoguei-me num copo de água
satisfez-me a bolha
filha do salto agulha.
Porque amo os teus cotovelos
eles são as esquinas mágicas
da minha imaginação
o prazer que nunca antes existiu
porque nunca antes me lembrei
porque nunca antes quaisquer cotovelos amei.
Não receio a sua aspereza
insisto não os amaciar com azeite
não os marinar em limão
os teus cotovelos precederão
o teu convexo.