quinta-feira, junho 16, 2005

Comédia

O sono que pesa sobre as pálpebras
Arrasta-me os braços e as pernas.
Num baloiço de penas
de penas apenas
Esse Chronos velho e pançudo
rouba-me o corpo rabudo
para que o meu espírito possa
finalmente
baloiçar.

Nesse continente de querubins sem asas
dotados de helénicos marsapos
as Adrianas têm
de facto
muito por que suspirar.

É quase neste estado
que encontro o gato burguês
Aquele que
por influência dos homens
não gostava de ratos
e não comia gatas.

24 comentários:

sylpha disse...

Uma comédia simplesmente... sublime!!! Beijo grande numa constelação :)

zezinho disse...

Brincas com as palavras, Cassi...
E eu gosto de quem sabe usá-las.
Está excelente.
Beijinhos, querida Cassiopeia!

MIN disse...

Tão balalão. Como eu adoro baloiços.
Beijo.

Philostrate disse...

AHAH! muito bom... sublime! ;)

Luis Duverge disse...

A excepção ...apenas confirma a regra.
Beijo e bom fds.

musqueteira disse...

Parabens pela comédia Cassiopeia!
Se não fosse pela Comédia, esta vida já tinha adormecido à muito;)

Duarte Temtem disse...

Bela comédia, sim sra!! Pergunto-me qual será o verdadeiro significado desse poema...
Bjs

AS disse...

A subtileza e ironia do poema são magistrais!...

Um beijo

contadordehistorias disse...

O gato morreu triste depois de desaprender a andar sem botas, e de se aperceber que nunca seria amigo de um cão...


beijos

Bufas disse...

Uhhhm, gosto desse estado de embriaguês, entre o sono e o acordar em que se podem tocar os sonhos.

Daniel Aladiah disse...

Querida Catarina
Muito bom sentido de humor, sendo uma sátira bem aguçada :)
Um beijo
Daniel

Philostrate disse...
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Philostrate disse...

Tens nada que pedir desculpa, gostei bastante do "desabafo". Também gosto bastante do "Beyond Good & Evil", mas gostei mais de "The Antichrist", talvez pela forma mais agressiva em que está escrito.

Ah! Já me esquecia... KoC é muito, muito bom, conheçes o album anterior? - estou a falar do "Quiet is the new loud". Já agora, se não conheceres Elliott Smith, experimenta ouvir.

Beijos.

polegar disse...

gosto dos teus jogos de palavras ;)

MIN disse...

tu é que és!!!
bj.

Iluvatar disse...

Divinal!!!! Chegaria até a dizer, uma segunda "divina comédia", adorei, beijo grande bom fim de semana

AdéliaTheresaCampos disse...

Comédia onírica. Se a transformarmos em quadro, certamente, será Dali.

O "Nicotina" é magistral. E me vi um pouco nele.

Beijos, carinho.

Anônimo disse...

Querida amiga,
Sublime.

um beijo meu,
Rose*

zezinho disse...

Voltei.
Ainda nada de novo.
Detenho-me mais um pouco na tua ironia.
Beijo

Anônimo disse...

Só porque me apeteceu:

http://thepersephone.blogspot.com

Karin disse...

Gosto da elegância e do sentido de humor deste poema. Beijinho*

Vera Cymbron disse...

Estou de volta...a bonança finalmente.
Jinhos grandes.

Philostrate disse...

Olá Cassiopeia.

Também eu tenho passado muito tempo a ouvir KoC. Ainda esta noite, não consegui adormecer sem a sua companhia.

Fico muito contente por sabe que tens mantido uma ou outra conversa mental comigo. É verdadeiramente uma honra inesperada encontrar a minha voz na tua amorphical dystopia. Compreendo que não consigas partilhar essas conversas, também eu sou incapaz de as partilhar quando tenho. Por várias vezes as tenho tentado captar para uma folha e prende-las em linhas desenhadas a tinta, mas tais conversas teimam em se manter livres, e desaparecer ao mais pequeno gesto que ameace a sua liberdade e cumplicidade para com comigo…

Jeff Buckley é absolutamente genial. Ou era… Apesar de não ter conhecido a sua poesia enquanto era vivo, agora que conheço, posso dizer que me deixou saudades… No sábado descobrir um bar de blues que parecia saído dos anos 30 de New Orleans… Vou falar um pouco mais sobre isso no meu próximo post, mas deixa-me só dizer que entre as musicas que a banda interpretou, vinha-me constantemente à cabeça uma música de Jeff Buckley. Não estou certo porque.

Estou agora a ouvir o álbum “A song about a girls”, de Zita Swoon. Conheces? Muito bom. Já agora, já ouviste Elliott Smith?

Espero que esteja tudo bem,
D.

André Ferreira disse...

Não consigo deixar de rir ao ler este poema.

Beijos